Não é a incerteza da vida que me assuta, mas a certeza da morte que me causa tamanho assombro. Concordo com Da Costa e Silva em seu poema. É disto que devemos sempre temer: essa efemeridade mista a uma fragilidade, pungente, que me dá medo de dormir um sono eterno.
Não sei se existe vida após a morte, ou se existe reencarnação, muito menos creio na existência de céu ou inferno. Nada sei. O que sei é que apenas resta um vazio. Vazio de vida. Vazio de sentimento. Vazio de essência. Vazio!
E esse vazio dói. Dói uma dor que lateja, ora intempestiva ora branda, que não passa, apenas adormece e revive a cada recordação, a cada lembrança.
O engraçado é que abrimos a boca pra arrotar que somos donos de nossas próprias vidas. Quanta utopia! Estamos sujeitos a perdê-la a qualquer momento... Basta o acaso nos pregar uma peça e "fomos". Surge mais uma lápide com frases de exaltação ao que fora e de consolo aos que ficam.
Nesse momento nosso peito se enche d'um turbilhão de sentimentos negativos e ficamos descrentes na vida e condicionados a acreditar que a a morte nada mais é que apenas uma passagem, uma viagem, uma fuga... que foi melhor assim. Melhor pra quem? E o sofrimento dos que restaram? E a angústis do que partiu?
Quem quiser ver a morte como uma "coisa" positiva, que veja. Eu não a enxergo dessa maneira. Nunca vou conseguir olhá-la com bons olhos. Agora somente nos resta orar, chorar e pedir que Deus tenha piedade e misericórdia dos que ficam e dos que vão. Por que a existência, essa jamais nos pertenceu, fora unicamente emprestada a nós para esse breve espaço de tempo que passamos aqui neste mundo e que, inutilmente, persistimos em chamar de "vida".
À meus amigos que já não se fazem presentes entre nós, a admiração que perdura e a saudade insistente. Que fique sempre lembrado que a vida é uma DÁDIVA TRANSITÓRIA que nos é ofertado de graça e que tem prazo que não nos convêm saber seu limite de validade.
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